Na linha característica de promoção da saúde, o Hospital Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, enfeitou seu mural do ambulatório pelo Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, 2 de abril. A data promove a aceitação, a equidade e a inclusão, reconhecendo as contribuições das pessoas autistas que fornecem para a sociedade.
As mães que acompanham suas crianças no Getulinho desabafaram seus relatos, sobre como descobriram a condição em seus filhos. Bárbara Cerqueira, progenitora da Thauany Cerqueira, relatou que sua filha levou um ano sendo investigada por ela e pela escola. Com o diagnóstico vindo do Getulinho, Thauany segue normalmente seu acompanhamento no hospital. Já Gael Henrique, de 2 anos, apresentava atrasos cognitivos que levavam à suspeita da condição. Foi com o desenvolvimento da sua seletividade alimentar, devido a questões sensoriais que inclusive limitavam a permanência da criança na escola, que o diagnóstico se fez valer.
Para elas, apesar de sempre muito bem atendidas no hospital, os desafios são inúmeros. Emocionando-se ao contar das dificuldades, Bárbara afirma que “as crianças são diferentes, mas que são normais e têm as mães para cuidar delas”, indicando que para ajudar a superar, passou a fazer também terapia e que vai se afastar do trabalho para se dedicar à Thauany. “Para mim tudo isso ainda é muito novo”, contou, revelando que já tem outras duas filhas que não têm autismo.
Outra mãe, Maitê Andrade, acompanhando a graça de menina, Laura Andrade, foi enfática em dizer: “a gente vive como em um luto, que a gente deve aceitar para poder andar e se conectar com a criança”, destacando como a sociedade julga comportamentos dissonantes com a dita “normalidade” e que fortalecer a criança é uma parceria entre os pais, as famílias, hospital, escola e todos os agentes sociais envolvidos.
Apesar da condição que afeta habilidades de linguagem e comunicação, Laura esbanjava graciosidade, vestida com as cores características da campanha. Não afastando a alegria, ela brincava junto com o irmão mais velho, Felipe Andrade, que disse que na sua escola também fizeram atividade sobre o tema do autismo. “Meus colegas entendem sobre o assunto e respeitam a minha irmã”, contou orgulhoso.
Neuropediatra da casa, Maine Vidal, acolhe com carinho seus pacientes e ressalta a importância das terapias e da promoção da transdisciplinaridade entre especialidades e instituições. “Em relação aos casos podemos dizer que, nos últimos anos, houve um aumento na prevalência, por diversos fatores, como a maior circulação de informações, a população está mais atenta aos sinais e há maior conhecimento sobre o transtorno, pela expansão e melhor definição dos critérios diagnóstico, pela inclusão de síndromes genéticas no espectro e pela ampliação do acesso aos especialistas”, explicou, reforçando que mais da metade dos casos que ela atende no Getulinho é de crianças com a condição.
Campanha – Designada desde 2007 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2025 o tema definido foi: “Promovendo a Neurodiversidade e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”. Sendo assim, a ONU visa juntar o compromisso da atenção às neuro divergências com os esforços globais por sustentabilidade, incentivando políticas públicas inclusivas e práticas cotidianas que estimulem mudanças positivas na vida dos indivíduos autistas em união com toda comunidade.
Sobre a condição – Segundo o manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (dsm-5) o transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição caracterizada por déficits persistentes na comunicação social e na interação em múltiplos contextos, associado a padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades. Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento e causarem prejuízos clinicamente significativos no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Muitas vezes, pessoas com TEA têm condições comórbidas, como epilepsia, depressão, ansiedade e transtorno de déficit de atenção, hiperatividade (TDAH) e deficiência intelectual. Intervenções psicossociais, baseadas em evidências, podem melhorar a comunicação e as habilidades sociais com impacto positivo no bem-estar e na qualidade de vida das pessoas autistas e dos seus cuidadores. Com medidas como terapia comportamental e programas de capacitação para pais e profissionais de saúde e de educação, os impactos da condição podem ser mitigados.
De acordo com a Fiocruz, cerca de 1 em cada 100 crianças tem autismo, com maior prevalência nas pessoas do sexo masculino.



